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Arquivos mensais: Maio 2010

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

 

Carlos Drummond de Andrade

no teu poema

Quem teve a ideia

de cortar o tempo em fatias,

a que se deu o nome de ANO,

foi um indivíduo genial,

industrializou a esperança,

fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano

se cansar e entregar os pontos.

Aí entra o milagre da renovação

e tudo começa outra vez,

com outro número e outra vontade de acreditar

que daqui por diante vai ser diferente.

Carlos Drummond de Andrade

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